Devocional 002 – ELEITOS, PORÉM ORDINÁRIOS

No devocional anterior, argumentei que a oração deve ser um ato que antecede nossas deliberações e decisões. A argumentação estava baseada no fato de Jesus ter orado antes de tomar uma decisão. Mas qual decisão? O contexto era referente à escolha dos Doze. Vejamos o que o texto bíblico diz:

Num daqueles dias, Jesus saiu para o monte a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze deles, a quem também designou como apóstolos: Simão, a quem deu o nome de Pedro; seu irmão André; Tiago; João; Filipe; Bartolomeu; Mateus; Tomé; Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado zelote;  Judas, filho de Tiago; e Judas Iscariotes, que veio a ser o traidor. (Lucas 6.13-16)

Você percebeu que depois de ter orado a noite toda, logo pela manhã, Jesus escolheu, dos seus discípulos, aqueles que se tornariam os líderes mais importantes de toda a história da igreja? Tem mais. Você notou que Jesus não os escolheu segundo aquilo que eles eram, mas, sim, de acordo com o que Deus faria com eles?

Mas quem eram eles?

É surpreendente notar que Jesus escolheu para compor o ministério apostólico pessoas muito diferentes, e que provavelmente jamais seriam unidas por uma questão de afinidade. Os Doze eram pessoas em circunstâncias de vida diferentes e de caráter muito distinto um do outro. Tinha pescador, publicano, zelote… Na maioria, homens egocêntricos, temperamentais, às vezes, ingênuos, às vezes céticos, enfim, pessoas completamente diferentes, porém, pessoas comuns, ordinárias. Não havia nada de extraordinário nelas.

A lista de Jesus começa com Pedro e termina com Judas. Isso diz muita coisa. Quem de nós escolheria Pedro e Judas sabendo tudo o que eles seriam capazes de fazer? Pois bem, Jesus os escolheu. Todavia, não os escolheu por serem fortes, perseverantes, sábios, prudentes, amorosos, seguros de si, confiantes na obra de Deus e etc. Veja, a lista é de pessoas como Pedro e Judas! Pessoas comuns e que dificilmente seriam lembradas pela história caso Jesus não as tivesse escolhido. Portanto, Jesus não as escolheu por conta das virtudes que possuíam.

O mesmo vale para a igreja. A comunidade da fé não é uma reunião de pessoas por afinidade. A igreja é um milagre de Deus. É o ajuntamento de pessoas, as mais diferentes possíveis, pessoas de todo o tipo, porém escolhidas por ele, para se reunirem não por causa de um princípio de afinidade que há entre elas, mas, sim, por causa da missão que lhes foi dada. É a missão que dá unidade à igreja e não programas de entretenimento.

Jesus enxergou aqueles homens não como os discípulos que eram, mas como os apóstolos que se tornariam; não como o Simão que Pedro era, mas como a Rocha (Petrus), que ele se tornaria; não como o Judas que agora quer seguir a Jesus, mas como aquele que lá na frente será vencido pelo amor próprio e trairá o mestre — o que, diga-se de passagem, revela que Judas não foi uma escolha equivocada de Jesus. A propósito, até Judas, que traiu seu mestre, fazia parte da escolha certa de Jesus. Por isso, volto a dizer: Quem se submete ao senhorio de Cristo tomará sempre as melhores decisões, ainda que elas pareçam ser as piores decisões.

 

Jonas Madureira, pastor da Igreja Batista da Palavra

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